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Hype da IA: Quando o ‘Revolucionário’ Já Existe Há 2 Anos

O Show do “Nunca Visto Antes” que Você Já Viu

Eu vi uma CEO de empresa de tecnologia fazendo uma apresentação ao vivo. Ela conectou no ChatGPT, pediu dados de vendas, e o sistema trouxe tudo em tempo real no chat. A plateia aplaudiu. “Que ferramenta revolucionária!”, disseram.

Eu assisti aquilo e pensei: eu mostrei isso há dois anos atrás na Sala dos Mestres. Literalmente. Function calling do GPT, conectando via API no meu sistema, buscando dados em tempo real e dando input de volta. Sem N8N, sem automação externa, direto dentro do GPT. Dois anos atrás.

E aí vem a pergunta que ninguém quer fazer: se isso já era possível há dois anos, por que estão vendendo como se fosse uma revolução agora?

Function Calling Não É Novidade: A Timeline que Ninguém Conta

Vamos colocar os fatos na mesa. A OpenAI lançou o suporte a function calling na API do GPT em junho de 2023. Isso significa que, desde meados de 2023, qualquer desenvolvedor competente conseguia fazer o ChatGPT se conectar a sistemas externos, buscar dados, executar ações e retornar resultados em linguagem natural.

Em novembro de 2023, vieram as “tools” na Assistants API, evoluindo o conceito. Em 2024, já havia centenas de tutoriais, repositórios open source e casos de uso documentados. A comunidade técnica já estava usando isso no dia a dia, construindo agentes, integrando ERPs, CRMs e dashboards.

Segundo a própria documentação da OpenAI, function calling permite que modelos gerem chamadas de função estruturadas para conectar com ferramentas externas. Isso não é futuro. É passado.

Um relatório da Gartner sobre o Hype Cycle de IA já alertava em 2023 que muitas tecnologias de IA generativa estavam no “pico de expectativas infladas”. Estamos em 2026 e algumas pessoas ainda estão no pico.

O Perigo de Vender Tecnologia Velha Como Inovação

Olha, eu não tenho problema com gente usando ChatGPT para consultar dados. Faz sentido, é prático, funciona. O meu problema é outro: é quando pegam algo que já existe há anos, empacotam bonito e vendem como se fosse transformador.

“Ah, mas agora é muito simples!” Simples o quê? Copiar e colar dados de um chat? Pelo amor de Deus. Isso não é transformação digital. Isso é um wrapper bonito em cima de uma API call que qualquer júnior faz.

O mercado de software no Brasil tem um vício perigoso: confundir demonstração com entrega de valor real. Uma coisa é mostrar que o ChatGPT puxa dados. Outra coisa completamente diferente é construir um produto robusto, com tratamento de erros, segurança, escalabilidade e experiência do usuário pensada.

Como aponta um estudo da McKinsey sobre o estado da IA em 2024, apenas 26% das empresas conseguiram escalar suas iniciativas de IA generativa para além de projetos piloto. O resto ficou na demo bonita que impressiona em palco.

A Harvard Business Review publicou uma análise detalhada sobre por que tantos projetos de IA falham: expectativas infladas, falta de infraestrutura de dados e desconexão entre o que se demonstra e o que se entrega em produção.

O Que Realmente Importa: Profundidade, Não Hype

Na Software House Exponencial, a gente trabalha com IA todos os dias. E justamente por isso eu sou cético com quem vende IA como mágica. Quando você trabalha com a tecnologia de verdade, você sabe as limitações. Sabe que function calling pode falhar, que alucinações acontecem, que latência importa, que segurança de dados é um pesadelo se não for tratada direito.

O profissional sério não vende revolução. Ele entrega resultado.

Se você quer realmente usar IA no seu negócio, pare de se impressionar com demos e comece a fazer as perguntas certas:

  • Essa solução funciona em produção com milhares de usuários simultâneos?
  • Como ela lida com dados sensíveis e LGPD?
  • Qual é o custo real de tokens por consulta em escala?
  • Existe fallback quando a API da OpenAI cai (e ela cai)?
  • O que acontece quando o modelo alucina e retorna dados errados?

Essas são as perguntas que separam quem faz software de verdade de quem faz teatro tecnológico.

Pare de Aplaudir o Óbvio

A minha provocação é simples: antes de chamar algo de revolucionário, pesquise quando aquilo foi lançado. Se a “inovação” que estão te vendendo já era possível há dois anos, você não está diante de uma revolução. Está diante de marketing.

E marketing não é problema. Problema é quando o marketing substitui a engenharia. Quando a demo bonita substitui o produto robusto. Quando o “nunca visto antes” esconde o “eu só não estava prestando atenção”.

A tecnologia de IA é incrível. Function calling, tools, agentes autônomos: tudo isso tem potencial real de transformação. Mas transformação de verdade exige profundidade, não superficialidade empacotada com hype.

Como bem aponta a Sequoia Capital em sua análise sobre o mercado de IA, existe uma lacuna de US$ 600 bilhões entre a receita real das empresas de IA e as expectativas do mercado. Alguém vai pagar essa conta.

Assista ao Vídeo Completo

Eu falo mais sobre isso no vídeo que gravei recentemente. Se você quer entender por que eu sou tão duro com o hype de IA, assista:

ChatGPT: A Revolução ou Hype? Desmistificando o AI

E se você é dono de software house ou líder técnico, vem conversar comigo. Na Exponencial, a gente constrói com IA de verdade, sem teatro. Fala comigo no contato.

Foto de Michelangelo Buonarroti no Pexels

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