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IA no Direito: O “Ainda Não Faz Bem” Tem Prazo de Validade

Martelo de juiz sobre mesa representando a transformação da inteligência artificial no setor jurídico

Eu preciso te contar uma coisa que tenho visto acontecer com frequência cada vez maior: petições jurídicas inteiras sendo escritas por inteligência artificial. E não estou falando de um futuro distante. Isso já é realidade agora, em 2026, e está mudando a dinâmica de profissões inteiras.

A gente cansa de ver casos, principalmente na parte jurídica, de documentos completos gerados por IA. Às vezes o profissional esquece de revisar, deixa passar um trecho claramente gerado pela máquina, e o resultado pode ser desastroso. Já houve caso de advogado multado por apresentar decisões judiciais inexistentes criadas por IA.

Mas aqui está o ponto que eu quero que você entenda de verdade: o fato da IA ainda não fazer algumas coisas bem não significa que ela nunca vai fazer. E a velocidade com que essas ferramentas estão evoluindo é algo que a humanidade nunca viveu antes.

90% dos Advogados Já Usam IA no Dia a Dia

Vamos começar com um número que impressiona: segundo pesquisas recentes compiladas pelo National Law Review, mais de 90% dos advogados pesquisados já utilizam pelo menos uma ferramenta de IA no trabalho diário. Desses, 62% reportam economia de 6 a 20 horas por semana.

Isso não é mais tendência. Isso é fato consumado. O setor jurídico, que muitos consideravam conservador demais para adotar tecnologia rapidamente, está na vanguarda da transformação por IA.

No Brasil, o cenário é ainda mais revelador. O país registra mais de 80 milhões de processos ativos, com aproximadamente 39 milhões de novas demandas anuais. Com esse volume absurdo, a IA se tornou não apenas útil, mas necessária. Ferramentas de IA jurídica reduzem em até 60% o tempo de elaboração de petições e contratos.

E o mercado de IA aplicada ao direito cresce a uma taxa anual de 32,55%. Esse número por si só já deveria fazer qualquer profissional prestar atenção.

O Problema do “Ainda Não Faz Bem”

Agora, vamos ao ponto que eu considero o mais importante dessa discussão. Muita gente se agarra à ideia de que “a IA ainda não faz bem certas coisas” como se isso fosse um argumento permanente. Eu entendo esse raciocínio, mas ele tem uma falha grave: ignora a velocidade de evolução.

Pesquisas de Stanford citadas pelo Jones Walker LLP encontraram taxas de erro de 17% para o Lexis+ AI e 34% para o Westlaw AI-Assisted Research, com modelos genéricos performando ainda pior. Já são mais de 700 casos judiciais no mundo envolvendo alucinações de IA.

Sim, existem limitações sérias. Sim, a IA erra. Mas o “ainda não faz bem” é uma sentença temporária, não permanente. A cada atualização, a cada nova versão dos modelos, essas limitações vão sendo superadas. O que era impossível há seis meses já é rotina hoje.

Na minha experiência acompanhando mais de 300 software houses, eu vejo o mesmo padrão se repetir em todos os setores: as pessoas subestimam a velocidade exponencial de melhoria da IA.

Não Vai Substituir o Humano, Mas Vai Transformar Profissões

Eu faço questão de deixar esse ponto claro porque muita gente confunde as coisas: a IA não vai substituir o ser humano. Ponto. Mas vai transformar radicalmente como as profissões funcionam.

O dado mais interessante vem de Harvard Law School: nenhum dos escritórios do AmLaw 100 planeja reduzir o número de advogados, mesmo reportando ganhos de até 100 vezes em produtividade em tarefas específicas. O que muda não é a quantidade de pessoas, é o que essas pessoas fazem.

De acordo com a TOTVS, agentes de IA estão se consolidando como copilotos dos profissionais do direito. A IA executa o trabalho repetitivo e de grande volume, enquanto o advogado se concentra na estratégia, na validação de informações, no raciocínio complexo e no relacionamento com o cliente.

É uma redistribuição de funções, não uma eliminação. E isso vale não só para o direito, mas para praticamente todas as profissões baseadas em conhecimento.

O Profissional “Cabeça Dura” Vai Sofrer Mais

Eu já fiz vídeos sobre isso e reforço aqui: os profissionais que são muito especialistas em uma coisa e muito resistentes à mudança vão ser os mais impactados. Não porque a IA vai fazer o trabalho deles amanhã, mas porque enquanto eles resistem, outros profissionais estão usando a IA para fazer em uma hora o que antes levava um dia.

As profissões mais vulneráveis são aquelas que envolvem tarefas repetitivas, baseadas em regras claras e executadas a partir de grandes volumes de dados estruturados. Segundo análise do TechTudo, em 2026, a IA deixou de ser suporte à decisão humana e passou a executar processos completos em áreas como administração, atendimento ao cliente, finanças e até pesquisa científica.

A frase que melhor resume essa realidade: “A IA não substitui pessoas. Ela substitui profissionais que não aprendem a usá-la.”

A Velocidade de Evolução é Sem Precedentes

Esse é o ponto final e talvez o mais importante. A gente nunca viveu algo parecido com a velocidade de evolução da IA. Não é exagero. Não é hype.

O mercado de IA jurídica crescendo a 32,55% ao ano. A adoção saltando para 90%+ em poucos anos. Ferramentas que eram experimentais há 12 meses agora são infraestrutura operacional. Cada nova versão dos modelos de linguagem reduz drasticamente as limitações da versão anterior.

Se você está se apoiando no argumento de que “a IA ainda não faz X direito”, saiba que esse argumento tem prazo de validade. E esse prazo está diminuindo a cada mês.

Conclusão

A IA já chegou ao setor jurídico e a dezenas de outras profissões. As limitações atuais são reais, mas temporárias. A velocidade de evolução é inédita e só está acelerando.

Quem se adapta, usa a IA como ferramenta e foca nas habilidades que a máquina ainda não tem (pensamento estratégico, relacionamento humano, julgamento ético) vai prosperar. Quem resiste, vai descobrir que o “ainda não faz bem” virou “faz melhor que você” mais rápido do que imaginava.

Sou Thulio, mentoro 300+ SHs desde 2016. Se esse conteúdo te provocou a pensar diferente, compartilhe com outros profissionais que precisam ouvir isso.


Este artigo foi baseado no vídeo “IA no Direito: O Futuro Já Chegou, Mas Com Ressalvas!” do nosso canal no YouTube.
Assista ao vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=4tvb7bS2sDM

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