# A IA Está Ressuscitando Linguagens de Programação que Todos Deram por Mortas
Você já jogou fora uma ferramenta que funcionava perfeitamente? Isso é exatamente o que boa parte do mercado de tecnologia vinha fazendo com linguagens como Delphi, Python avançado, C++ e até FORTRAN nos últimos anos. A narrativa dominante era simples: se não é JavaScript ou TypeScript em Node, se não é um framework moderno e “hype”, não serve. Mas algo surpreendente está acontecendo em 2025 e 2026: a Inteligência Artificial está revirando esse argumento de cabeça para baixo.
Em um clipe recente, Thulio Bittencourt, fundador da Software House Exponencial e mentor de mais de 300 empresas de software no Brasil, foi direto ao ponto: a IA está trazendo vida a linguagens que estavam definhando. Não por nostalgia, não por conservadorismo, mas por produtividade real. Escrever código em Delphi hoje é produtivo. Escrever em C++ hoje é produtivo. E quem não parar para rever seus conceitos vai ficar para trás nesse jogo.
Neste artigo, vamos explorar por que esse fenômeno está acontecendo, o que os dados dizem sobre o ressurgimento de linguagens legacy, e o que isso significa para donos de software houses, desenvolvedores e tomadores de decisão técnica no Brasil.
## O Que os Dados Dizem: Linguagens “Dinossauro” Voltando ao Top 10
Antes de debatermos opiniões, olhemos para os fatos. O TIOBE Index de março de 2025, um dos rankings mais respeitados de popularidade de linguagens de programação, trouxe uma surpresa que deixou muita gente de queixo caído.
Delphi/Object Pascal ocupou o 10º lugar no ranking global. Fortran apareceu em 11º. Ada em 18º. COBOL em 20º. Todos com tendência crescente.
Conforme noticiado pelo [InfoWorld](https://www.infoworld.com/article/3842376/fortran-delphi-rise-in-tiobe-popularity-index.html), não se trata de um acidente estatístico. A matéria da [TechRepublic](https://www.techrepublic.com/article/tiobe-index-march-2025-legacy-programming-languages/) que cobriu o mesmo índice foi ainda mais direta no título: *”March 2025 TIOBE Index: Legacy ‘Dinosaur’ Languages Are Making a Comeback”*. Dinossauros voltando. E não para um museu, mas para a linha de produção.
Por que isso está acontecendo? O TIOBE e analistas do setor convergem em uma explicação central: as empresas estão preferindo estender sistemas existentes a substituí-los. O risco de reescrita completa é enorme, o custo é altíssimo, e com IA, a alternativa de modernizar de dentro para fora se tornou viável de um jeito que não era antes.
## Por Que a IA Muda o Jogo das Linguagens Legacy
A questão central aqui não é “qual linguagem é mais bonita” ou “qual tem a melhor sintaxe”. É uma questão de custo-benefício real para empresas que têm sistemas rodando em produção há anos ou décadas.
Imagine uma software house brasileira que mantém um sistema ERP em Delphi com 500 mil linhas de código. Reescrever isso em TypeScript ou Go custaria anos de desenvolvimento, testes, migração de dados e risco operacional imenso. Mas e se for possível, com o auxílio da IA, fazer esse código legado ser mais produtivo, documentado e extensível sem reescrevê-lo?
É exatamente isso que está acontecendo. O blog [Code4Delphi](https://code4delphi.com.br/blog/delphi-com-ia/) documenta como LLMs, RAG, MCP, Agents, Function Calling e modelos Multimodais funcionam nativamente com Delphi em 2025. GitHub Copilot está integrado. Claude e GPT-4 conseguem ler código Pascal, entender contexto e gerar patches, correções e novas funcionalidades de forma surpreendentemente eficaz.
O resultado prático: uma linguagem que era “improdutiva” por falta de ferramentas modernas voltou a ser produtiva. A IA preencheu a lacuna que o ecossistema de ferramentas não havia preenchido.
### Python: O Caso da Linguagem que Nunca Morreu, Mas que a IA Turbinou
Python é um caso diferente. Nunca esteve no caminho de definhamento como Delphi. Mas também se beneficiou imensamente da IA.
Segundo dados da [Alura sobre o mercado de programação em 2026](https://www.alura.com.br/artigos/mercado-de-programacao-2025), Python cresceu 7% em adoção entre desenvolvedores no Brasil entre 2024 e 2025. E não é coincidência: Python é a linguagem favorita dos modelos de IA para geração de código. O ChatGPT escreve Python. O Claude escreve Python. O Copilot escreve Python. Isso cria um efeito de amplificação: a linguagem que a IA mais “entende” bem naturalmente se torna mais produtiva nas mãos de quem usa IA.
A mesma pesquisa apontou que 84% dos desenvolvedores brasileiros entrevistados usam ou planejam usar ferramentas com IA no desenvolvimento em 2026. Esse número é impressionante. Não é mais uma minoria de early adopters. É o mainstream.
## O Paradoxo que Ninguém Quer Admitir
Mas espera. Se a IA está tornando tudo mais produtivo, por que não simplesmente jogar fora as linguagens antigas e começar do zero com as mais modernas?
A resposta tem várias camadas, e uma delas é contraintuitiva.
Um estudo publicado pela [MIT Technology Review](https://www.technologyreview.com/2025/12/15/1128352/rise-of-ai-coding-developers-2026/) mostrou que desenvolvedores experientes ficaram, em média, 19% mais lentos ao usar IA para tarefas complexas, apesar de estimarem que ficariam 20% mais rápidos. O fenômeno tem nome: sobrecarga cognitiva de revisão. Você delega para a IA, mas precisa revisar o que ela produziu. Em código complexo e bem estruturado, esse overhead pode superar o ganho.
Isso muda completamente a equação. Se a IA não é uma bala de prata para velocidade em qualquer contexto, então a decisão de “reescrever em linguagem moderna” se torna ainda mais arriscada. Você assume o risco da reescrita, o risco de bugs de migração, e ainda não tem garantia de ganho real de produtividade se a equipe não dominar a nova stack.
A alternativa racional para muitas empresas é: mantenha o que funciona, use IA para modernizar de dentro para fora, e invista em treinamento de IA para a equipe atual.
## Delphi em 2026: Um Case de Ressurgimento Real para Software Houses Brasileiras
O mercado brasileiro de software tem uma característica específica: uma base enorme de sistemas legados em Delphi, especialmente no segmento de ERP, gestão empresarial, sistemas de saúde e financeiros.
Por décadas, esse foi um fardo. Difícil de recrutar, difícil de modernizar, difícil de justificar para clientes que perguntavam “mas isso é tecnologia atual?”. Agora, a narrativa virou.
Um artigo prático do blog [Regys.com.br](https://regys.com.br/delphi-na-era-da-ia-automatizando-a-documentacao-com-ia-e-mermaid/) documenta como usar IA para automatizar documentação em projetos Delphi, gerando XML Documentation e diagramas arquiteturais via Mermaid diretamente do código Pascal. Isso significa que um projeto legado mal documentado pode, em horas, ter documentação técnica gerada automaticamente. O famoso “tech debt” de documentação resolve-se com IA, sem reescrever uma linha de lógica de negócio.
Para uma software house com dezenas de clientes em Delphi, isso é uma oportunidade de negócio concreta: oferecer “modernização inteligente com IA” como serviço de alto valor agregado. Não é reescrita. É evolução.
## A Lição do Thulio: Humildade Epistêmica como Vantagem Competitiva
O que mais chama atenção no depoimento de Thulio Bittencourt não é a conclusão técnica sobre as linguagens. É a postura que ele demonstra.
“Isso eram coisas que eu mesmo não defendia antes, mas cara, olhando o que tá acontecendo no mercado, eu tenho que rever meus conceitos. Não tem jeito.”
Rever conceitos não é fraqueza. Em um mercado que muda tão rapidamente quanto o de tecnologia em 2025 e 2026, a capacidade de atualizar crenças com base em novas evidências é uma vantagem competitiva real. O empreendedor ou desenvolvedor que se prende a convicções do passado porque “sempre foi assim” ou “aprendi isso em 2010” está jogando um jogo diferente do mercado.
Thulio completa com uma frase que resume tudo: “O pior é para quem não assume e não muda. Esses é que vão sofrer mais dentro desse jogo.”
Não é dramatismo. É descrição de dinâmica de mercado. As empresas que assumirem que precisam integrar IA no seu processo de desenvolvimento, independente da linguagem, vão ganhar produtividade. As que esperarem pela “linguagem perfeita” ou pelo “momento certo” vão perder espaço.
## Como Implementar na Prática: Um Roteiro para Software Houses
Se você é dono ou gestor de uma software house com base em linguagens legacy, aqui está um caminho prático para aproveitar esse momento:
**1. Audite seu portfólio de linguagens**
Mapeie quais linguagens você usa, em quais projetos e com que nível de manutenção. Entenda onde está o maior tech debt.
**2. Teste IA na linguagem atual antes de migrar**
Antes de qualquer decisão de reescrita, experimente usar GitHub Copilot, Claude ou GPT-4 diretamente na linguagem que você já usa. Os resultados podem ser surpreendentes.
**3. Comece pela documentação**
A aplicação de IA com menor risco e maior retorno imediato em projetos legados é a geração de documentação. Use IA para criar especificações, diagramas e comentários de código.
**4. Treine a equipe em prompting para a linguagem do projeto**
Usar IA bem é uma habilidade. Aprender a fazer boas perguntas para um LLM sobre código Delphi, C++ ou Python avançado requer prática. Invista em treinamento específico.
**5. Avalie modernização incremental**
Com IA gerando código para novas features, você pode adicionar módulos modernos (APIs REST, integrações com serviços cloud) ao sistema legado sem reescrever o núcleo.
## O Que Esperar nos Próximos 12 Meses
O movimento que estamos vendo agora não vai se reverter. A tendência apontada pelo TIOBE Index, combinada com a adoção massiva de IA na programação (84% dos devs brasileiros), sugere que o mercado vai se dividir em três grupos.
O primeiro grupo vai integrar IA no desenvolvimento independente de linguagem e vai ganhar produtividade real. O segundo grupo vai ficar em debate filosófico sobre “qual linguagem é melhor” e vai perder tempo. O terceiro grupo vai ignorar IA completamente e vai sentir o custo disso em 12 a 24 meses.
A boa notícia para quem tem sistemas em Delphi, C++, Python ou qualquer outra linguagem com base instalada: você não precisa jogar fora o que foi construído. A IA chegou para trabalhar com o que você tem, não apenas com o que está na moda.
## Conclusão
O ressurgimento das linguagens legacy no TIOBE Index não é nostalgia. É uma resposta racional a uma nova realidade de produtividade. A IA tornou prático o que antes era improdutivo: manter, evoluir e documentar sistemas em linguagens que o mercado havia dado por mortas.
Para donos de software houses e desenvolvedores brasileiros, a mensagem é clara: a produtividade não está mais amarrada à escolha da linguagem “certa”. Está amarrada à capacidade de integrar IA no processo de desenvolvimento, seja qual for a stack.
Rever conceitos, como Thulio apontou, não é opcional nesse cenário. É o preço de entrada para continuar competitivo.
Se você quer aprofundar sua jornada com IA no desenvolvimento de software, inscreva-se no canal do Thulio Bittencourt e acompanhe os bastidores reais de quem está vivendo essa transformação na pele, junto com mais de 300 software houses no Brasil.
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> Este artigo foi baseado no vídeo **”IA Revive Linguagens de Programação! Entenda o Futuro. #shorts”** do canal Thulio Bittencourt no YouTube.
> Assista ao vídeo completo: [https://www.youtube.com/watch?v=jiyKYcgLZbA](https://www.youtube.com/watch?v=jiyKYcgLZbA)
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**Sou Thulio, mentoro 300+ SHs desde 2016.**
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**Fontes:**
– [Fortran, Delphi rise in Tiobe popularity index — InfoWorld](https://www.infoworld.com/article/3842376/fortran-delphi-rise-in-tiobe-popularity-index.html)
– [March 2025 TIOBE Index: Legacy ‘Dinosaur’ Languages Are Making a Comeback — TechRepublic](https://www.techrepublic.com/article/tiobe-index-march-2025-legacy-programming-languages/)
– [IA + Delphi! Aumente sua produtividade — Code4Delphi](https://code4delphi.com.br/blog/delphi-com-ia/)
– [Mercado de programação 2026 — Alura](https://www.alura.com.br/artigos/mercado-de-programacao-2025)
– [AI coding is now everywhere — MIT Technology Review](https://www.technologyreview.com/2025/12/15/1128352/rise-of-ai-coding-developers-2026/)
– [Delphi na Era da IA – Automatizando a Documentação com IA e Mermaid — Regys.com.br](https://regys.com.br/delphi-na-era-da-ia-automatizando-a-documentacao-com-ia-e-mermaid/)
