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Vibe Coding: Rápido no MVP, Pesado na Produção. Os Problemas que Ninguém Te Conta

O Vibe Coding revolucionou a velocidade de criação de MVPs. Em minutos, plataformas como Lovable geram aplicações funcionais com interface profissional, autenticação e banco de dados. Mas quando essas aplicações chegam à produção com usuários reais, os problemas aparecem com força. Zero code splitting, dependências mortas, imagens sem otimização e bundles monolíticos são apenas a ponta do iceberg.

Thulio Bittencourt, CEO da Software House Exponencial, expõe em detalhes os problemas reais encontrados ao levar um projeto criado via Vibe Coding para produção. Um sistema educacional com múltiplos perfis de usuário (administradores, professores, organizações e alunos) que, na teoria, funcionava perfeitamente, mas na prática consumia banda, processamento e paciência dos usuários de forma desnecessária.

O Problema Central: 42 Páginas Carregadas de Uma Vez

O caso mais crítico identificado por Bittencourt é revelador: o sistema criado via Lovable importava 42 páginas sincronamente no arquivo principal da aplicação (app.tsx). Isso significa que quando um aluno fazia login, o navegador baixava todo o código de administrador, professor e organizações, funcionalidades que ele nunca usaria.

“Se o cara é um aluno e ele entrou e logou na plataforma, o sistema baixava tudo de administrador, de professor e tal, mesmo que o cara não fosse usar ou não fosse ver”, explica Bittencourt. “Isso consome banda, consome processamento, deixa o software mais lento.”

Esse problema tem nome técnico: ausência de code splitting. Em aplicações profissionais, o código é dividido em chunks que são carregados sob demanda, conforme o usuário navega. Apenas o código necessário para a tela atual é baixado, reduzindo drasticamente o tempo de carregamento inicial.

Os 5 Problemas de Performance Mais Comuns do Vibe Coding

Com base no caso analisado e em dados do mercado, os problemas de performance mais recorrentes em projetos criados via Vibe Coding são:

1. Zero Code Splitting: Todas as páginas carregadas em um único bundle, sem separação por rotas ou perfis de usuário. O resultado é um tempo de carregamento inicial muito alto.

2. Nenhuma estratégia de chunks: Sem divisão inteligente do código, o navegador precisa baixar e processar um bundle monolítico antes de renderizar qualquer conteúdo.

3. Dependências mortas: Pacotes instalados durante o desenvolvimento que não são mais utilizados permanecem no projeto, aumentando o tamanho do bundle sem benefício algum.

4. Assets não otimizados: Favicons 10 vezes maiores do que o necessário, imagens de cursos sem redimensionamento. Cada kilobyte desnecessário impacta diretamente o tempo de carregamento.

5. Imagens sem tratamento: Fotos carregadas em resolução original, sem lazy loading, sem redimensionamento e sem formatos modernos como WebP. Em páginas com múltiplas imagens, como catálogos de cursos, o impacto é severo.

O “Vibe Coding Hangover”: A Ressaca da Produção

O fenômeno já ganhou nome no mercado internacional: “Vibe Coding Hangover”, a ressaca que vem depois da euforia inicial de criar software em minutos. Segundo análise publicada na comunidade DEV, o padrão é previsível: aplicações que funcionam perfeitamente com 10 usuários começam a apresentar lentidão com 100 e travam completamente com 500.

Os dados confirmam essa realidade. De acordo com reportagem do ValeApps, nenhuma plataforma atual de Vibe Coding entrega aplicações verdadeiramente prontas para produção sem refinamento manual ou envolvimento de desenvolvedor. O Lovable, que atingiu US$ 400 milhões em receita anual recorrente em fevereiro de 2026, reconhece implicitamente essa limitação ao posicionar-se cada vez mais como ferramenta de prototipação rápida.

Outro dado preocupante: cerca de 30 a 40% dos prompts em sessões de Vibe Coding são gastos consertando coisas que a IA quebrou, criando loops de debugging onde corrigir um problema gera outro. Essa ineficiência na fase de refinamento pode consumir todo o tempo economizado na criação inicial.

O Papel do Desenvolvedor Profissional

O caso apresentado por Bittencourt ilustra por que o Vibe Coding não elimina a necessidade de desenvolvedores profissionais, ele redefine seu papel. O sistema educacional funcionava: login, cadastro, navegação, tudo operacional. Mas a qualidade técnica por baixo da superfície era inadequada para produção em escala.

Um desenvolvedor profissional olha para um projeto de Vibe Coding e identifica:

  • Problemas de arquitetura: Code splitting, lazy loading, separação de responsabilidades
  • Performance: Bundle size, estratégia de cache, otimização de assets
  • Segurança: Validações, sanitização de inputs, controle de acesso granular
  • Escalabilidade: Queries otimizadas, indexação de banco, estratégias de cache
  • Manutenibilidade: Código limpo, testes automatizados, documentação

Em maio de 2025, foi reportado que o Lovable tinha vulnerabilidades de segurança em código gerado, com 170 de 1.645 aplicações apresentando problemas que permitiam acesso não autorizado a informações pessoais. Esse tipo de falha é invisível para quem não tem olhar técnico.

A Solução: Vibe Coding + Revisão Profissional

A abordagem mais eficiente combina a velocidade do Vibe Coding com a qualidade da revisão profissional:

  • Fase 1 (Vibe Coding): Criar o MVP rapidamente, validar a ideia com usuários reais, iterar sobre funcionalidades
  • Fase 2 (Revisão Técnica): Antes de escalar, submeter o código a uma análise profissional que identifique e corrija problemas de performance, segurança e arquitetura
  • Fase 3 (Otimização): Implementar code splitting, otimizar assets, configurar cache, adicionar testes automatizados

Como Bittencourt demonstrou, ferramentas como o Claude Code com squads de agentes especializados podem automatizar parte dessa revisão, identificando dezenas de problemas críticos de forma rápida e sistemática.

Conclusão: MVP em Minutos, Produção em Horas

O Vibe Coding é uma ferramenta extraordinária para criar MVPs e validar ideias. Negar isso seria ignorar uma revolução real no desenvolvimento de software. Mas confiar que o código gerado está pronto para produção sem revisão é um risco que pode custar caro em performance, segurança e experiência do usuário.

A mensagem para donos de software houses e empreendedores é equilibrada: use Vibe Coding para acelerar a criação. Mas antes de colocar em produção, invista em revisão técnica. Os 42 imports síncronos, as dependências mortas e as imagens sem otimização não vão se resolver sozinhos. E seus usuários vão sentir a diferença.


Este artigo foi baseado no vídeo “Vibe Coding: Rápido no Início, Pesado na Produção!” do nosso canal no YouTube.

Assista ao vídeo completo: https://www.youtube.com/watch?v=1psu9WCECC0

Fontes:

  • [ValeApps – Limitações do Lovable e Vibe Coding](https://valeapps.com.br/blog/lovable-ai-limitacoes-vibe-coding-quando-contratar-desenvolvedor)
  • [DEV Community – The Vibe Coding Hangover Is Real](https://dev.to/paulthedev/the-vibe-coding-hangover-is-real-what-nobody-tells-you-about-ai-generated-code-in-production-399h)
  • [Roberto Dias Duarte – Lovable e Vibe Coding: impacto na produtividade](https://www.robertodiasduarte.com.br/lovable-e-vibe-coding-impacto-na-produtividade-e-ti/)
  • [Google Cloud – Vibe Coding Explained](https://cloud.google.com/discover/what-is-vibe-coding)

Categoria: Tecnologia e Inovação

Tags: vibe coding, Lovable, performance, code splitting, produção, MVP, otimização, desenvolvimento de software

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